segunda-feira, 2 de março de 2015

Sobre a Morte

Há duas semanas recebi uma mensagem pelo whatssapp que falava sobre a morte e, nestas infelizes coincidências do destino, neste mesmo dia, o pai de uma grande amiga que vive em Portugal veio a óbito por um acidente horrendo. Ela fazia mais de seis anos que não visitava o pai e tinha planos de vir agora em setembro. Nem preciso falar o modo como ficou.... Isso me fez refletir muito acerca da irreversibilidade da morte, pois é justamente isso o que a faz tão assustadora
A certeza de não poder abraçar, de não poder falar todas as coisas que deveriam ser ditas... Para quem fica é uma dor que não passa nunca. A ferida fecha, mas a cicatriz está lá - como queloides, basta tocar para senti-la viva. E quando lembramos vivemos o pior tipo de dor, que é justamente a dor das coisas que não vivemos, a dor das palavras não ditas a dor do "e se...". Esta é a pior dor que conheço. E conheço bem, porque ela convive comigo desde sempre. Eu perdi papai muito cedo - ainda na infância e, com ele, perdi as lembranças que teria dos natais, aniversários e todas as solenidades que ele teria participado comigo. Perdi infinidades de colo, abraços, beijos, afagos e (por que não?) algumas palmadas.
Papai sempre foi um pai presente. Aquele que ia nas reuniões da escolinha infantil e participava das brincadeiras do dia dos pais - era um dos poucos pais que iam às festinhas. Isso me dói até hoje, porque perdi todos os momentos que teríamos juntos. Perdi um grande pai e a verdade é que nunca superei isso e sei que minha amiga jamais irá superar, pois ela tinha muitas coisas a falar, afinal foram seis anos de ausência e, apesar de haver inúmeras ligações semanalmente, eles tinham muito o que conversar, o que vivenciar...
São nestes momentos que nos sentimos impotentes diante do definitivo. São em momentos assim que sentimos necessidade de nos apegar a algo maior que nós, a uma força que nos faça acreditar em uma alma infinita, em um paraíso. É isso o que me mantém forte, firme: a certeza de que, um dia, irei ter com papai e poder dizer-lhe o quanto o meu amor cresceu durante o tempo em que estivemos separados.
Boa semana a todos.



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