domingo, 31 de agosto de 2014

O Racismo e a Bosta

Na semana passada três fatos viraram notícias no Brasil e todos envolvendo episódios de racismo. Justo no Brasil, onde a imensa maioria da população é negra!!!
O caso mais marcante foi o do goleiro do Santos na partida contra o Grêmio em Porto Alegre e vale lembrar que não é a primeira vez que absurdos assim acontecem envolvendo o mesmo clube na mesma região. Aliás a região sul não me traz boas lembranças, pois eu também fui vítima de racismo em Santa Catarina e só quem sente na pele é que sabe o quanto dói, o quanto revolta.
Infelizmente, o Brasil é um país  racista e aprendemos isso desde a infância quando  nos ensinam nos bancos escolares que   fomos libertos por uma uma bondosa princesa branca e seguimos felizes para sempre. Muito mais tarde aprendemos que na verdade o processo de abolição aqui no Brasil foi uma monstruosidade, pois a burguesia importou mão-de-obra europeia e deixou o negro ao deus-dará - sendo esta a raiz da imensa desigualdade existente no país. 
A atriz Taís Araujo disse certa vez em uma reportagem que se sente mal nos restaurantes que frequenta, pois sente que seu lugar seria servindo as mesas ou limpando o chão. E é verdade, pois raramente vemos pessoas negras ocupando cargos de destaque ou sendo servidos em restaurantes chiques. Mesmo em um estado de imensa maioria negra, como a Bahia, dificilmente se vê um negro com emprego decente. Até nas novelas só aparecemos como serviçais - poucos são os que conseguem quebrar esta barreira, como é o caso da própria Taís e seu esposo, Lázaro Ramos. 
Enfrentamos tantas situações, matamos tantos leões todos os dias e ainda temos que suportar ofensas de vermes miseráveis. Sim, vermes pois para mim, racista não é gente, não é humano e não é nem macaco sequer: é uma bactéria, um espectro, uma bosta!!!


2 comentários:

  1. É uma pena que os preconceitos insistam em existir. Parabéns pelo ótimo e importante texto.Tudo de bom pra você.

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    1. Obrigada meu querido, infelizmente o preconceito de um modo geral sempre existirão - somos um país preconceituoso e, o pior é que não nos vemos assim. E, enquanto não enxergarmos isso, continuaremos praticando preconceitos.
      Um xero do tamanho da Bahia.

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