quinta-feira, 6 de março de 2014

Sobre o Racismo Parte Três Mil Quatrocentos e Etc e Tal...

Olá Pessoas!!! Sei que muitos estão cansados dos meus posts sobre racismo, entretanto e infelizmente, no nosso país o preconceito tanto racial quanto econômico existe e alguém precisa falar sobre isso. Não podemos vendar os olhos e fazer de conta que está tudo lindo e é tudo um mar de rosas, porque a realidade é bem diferente.
No Brasil, se o sujeito possui grana, automaticamente compra também um título. Querem um exemplo? Se o cara chega em um restaurante em um carro importado o manobrista automaticamente já o chamará de doutor e o mesmo acontecerá com o garçom, o maitre e por aí vai - mesmo sendo ele um analfabeto funcional. Se um camarada chega muito bem vestido em uma loja, com certeza será muito bem atendido. E não venham me dizer que é mentira, pois sabemos que é verdade. Esta é apenas uma face do preconceito econômico. 
Inveja branca, preto de alma branca, negra de barriga limpa são expressões comuns no nosso vocabulário. Preconceito racial.
Querem outra? O preconceito geográfico; muita gente que se diz do bem acredita que todos os moradores de favela ( não gosto da palavra comunidade ) são bandidos. 
Enfrentamos situações de preconceito e nos calamos, porque consideramos normal. Eu me recuso a calar. 
Na última sexta estava andando no centro da cidade e um vendedor  de Axé da Sorte oferecia seus bilhetes às pessoas que passavam. Quando me viu gritou para que eu comprasse um bilhete para que pudesse dar uma chapinha no meu cabelo. Mais que depressa fui em sua direção, coloquei o dedo na fuça do safado e falei para ele que o que ganho dá para dar uma chapinha por dia e uso meu cabelo natural por opção, não por falta de dinheiro. Falei também que racismo no Brasil é crime e que se eu chamasse um policial ele seria preso em flagrante. Falei mais algumas merdas e deixei o infeliz a se borrar de medo. Sei que fui até tolerante, porém aposto que ele pensará duas vezes antes de falar bostas a quem quer que seja. 
Nós, negros, precisamos sentir orgulho da nossa raça, da nossa cultura e da nossa história e não podemos nos permitir determinadas situações. Precisamos de respeito!
E sabem o que me dói? É que o racismo, muitas vezes, é cometido por indivíduos negros. Quem não lembra do ator que foi preso por engano? A vítima do assalto - que o acusou, era negra, assim como o rapaz que falou do meu cabelo. Pode?!
E tem mais: se deem o respeito. Direitos existem para ser respeitados. Seja você branco, preto, vermelho, marrom, cor de rosa ou amarelo, se alguém pisou no seu calo, fale, grite vá e procure valer os seus direitos. 
Muitos são os que falam mal da justiça e poucos são os que realmente fazem uso dela. Portanto leiam acerca das leis para saber reconhecer seus deveres assim como também e, principalmente seus direitos. Quando nos conscientizamos, fazemos valer nossa cidadania e, só através do exercício dela nos tornamos seres humanos realmente livres, independente de cor, raça, opção sexual ou condição econômica.
Mais uma vez escrevo neste blog o que tenho gritado ao longo da vida:
SOU NEGRA, USO CABELO AFRO, SOU BAIANA, NORDESTINA, CIDADÃ BRASILEIRA E EXIJO RESPEITO!!!



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