quinta-feira, 14 de novembro de 2013

Novembro Azul e a Nossa Eterna Indefinição

Sou brasileira minha cor é parda. Minha raça é negra. Igual a mim são milhões e milhões de filhos deste chão que têm o pardo como cor na documentação e, a imensa maioria, diferentemente de mim não sabe a que raça pertence ou simplesmente não assume sua negritude, por preconceito ou por pura ignorância.
Infelizmente temos um racismo enrustido, um racismo, ousaria até dizer, ingênuo que nos ensina que o normal é o bom é o branco e que o preto é mal.  Muitos de vocês já ouviram  o símbolo máximo deste tipo de racismo : "preto de alma branca". Como se alma tivesse cor e, mais ainda, como se a alma branca fosse melhor que a preta. Foda-se quem pensa assim. 
O IBGE classifica o preto e o pardo, como pertencentes à mesma raça - a negra - não só pela origem, mas como também pelas semelhanças sócio econômicas e culturais de ambos; a realidade do pardo tem mais a ver com a do preto que a do branco. Somos negros e precisamos reconhecer-nos e aceitar-nos como tal, pois negro não é tão somente o indivíduo  que tem a cor escura, mas é toda  a identidade cultural de um povo, toda a sua bagagem histórica.
O Brasil precisa aceitar que mais que um país negro é um país de negros. Mas muitos de nós ainda vive na indefinição e  Caetano Veloso na música Americanos fala como ninguém sobre esta indefinição, ele foi perfeito na colocação que fez " Para os americanos branco é branco, preto é preto (...) enquanto aqui embaixo a indefinição é o regime."
Não sei de onde me inventaram a moda do "Novembro Azul". Novembro é negro por lei e direito, afinal temos uma história de luta e resistência pouco contada nos bancos da escola, cuja "libertação dos escravos" é simbolizada por uma bondosa princesa branca e sua Lei Áurea. Muito errado! Poucos sabem sobre Zumbi, poucos conhecem sua história. Novembro é o mês de Zumbi, é o mês da Consciência Negra. Digo até que é o mês da Resistência Negra e, embora o pintem de azul não podem tirar isso de nós. 

Imagens: Google.

3 comentários:

  1. "...como se alma tivesse cor..."
    perfeito amiga, porém este conceito se aplica a todo tipo de desunião entre seres humanos e justifica a onda de desarmonia que impera desde que nos conhecemos como humanos?!
    a humanidade e seu exercício é imaturo...estamos caminhando para algo que no fundo não desejamos sabe, não queremos a igualdade não queremos ser irmãos!

    ResponderExcluir
  2. Olá,
    Só existe uma raça, "RAÇA HUMANA" a cor da pele e as feições é que muda, todos nós não devemos permitir que alguém tente excluir a pessoa da sua raça (HUMANA) .
    Abraço
    ag

    ResponderExcluir
    Respostas
    1. Olá meu lindo.
      Seria muito bonito se a realidade fosse assim tão simples, mas infelizmente na prática é bem diferente, sabemos muito bem disso.
      Vou postar mais dicas sobre o Morro pra você.
      Um xero enorme.

      Excluir