domingo, 11 de agosto de 2013

Dia dos Pais

Hoje é comemorado o Dia dos Pais aqui no Brasil e este dia tem um significado estranho pra mim, pois é o único dia em que penso realmente na minha situação de orfandade.
Perdi meu pai há muitos anos, eu era muito criança pra entender a morte, acho que até hoje ela não a entendo. Então eu tinha certeza que ele voltaria e mais que isso, o procurava nas ruas, escrevia cartas e poesias para ele. Foi assim grande parte da minha infância. Esperei, procurei até que um dia desisti, pois compreendi por fim que ele não voltaria jamais... 
Mais triste que perder um pai tão cedo, é perder aos poucos sua referência. Primeiro esqueci seu cheiro, depois seu rosto, apenas lembrava sua voz. Ontem eu dei por mim que nem sua voz lembro mais... Assim como as fotos foram desbotando com o tempo, sua imagem também.
É estranho porque lembro de alguns de nossos momentos, mas não consigo lembrar seu rosto. 
Papai era um pai presente, desses que ia em reunião de escola e participava da minha vida. Era super paciente.Nunca me tocou a mão. Essas lembranças boas o tempo jamais conseguirá apagar. 
Sei que ele sempre esteve comigo em todos os momentos difíceis que passei vida afora. Como está agora e um dia, tenho a certeza, que nos encontraremos em um outro plano e conversaremos muito sobre tantas coisas e falarei dos seus netos, dos meus sonhos, das minhas mancadas e do quanto o meu amor imenso, infinito, incondicional nunca se findou, nunca morreu.  Jamais deixei de amá-lo um dia sequer nesses 33 anos de ausência.
Ele me faz muita falta. E, simbolicamente, este dia me traz toda esta dor, toda essa angústia. Tudo o que fica estagnado, calado dentro de mim, parece aflorar com mais força ano após ano no segundo domingo de agosto.
Um xero a todos, uma boa semana e feliz Dia dos Pais!!!

Um comentário:

  1. Meu pai também já morreu e por isso nesse dia eu me calo, prefiro as lembranças boas que ele deixou, divagar em minha mente.
    Saudade é o amor que ainda baila dentro da gente, e isso eu tenho.
    Não fui órfã, mas entendo seus sentimentos, pois creio que ninguém entende a morte e aceitar essa ausência forçada é pedir muito.
    bjkas doces e boa semana querida.

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