quarta-feira, 13 de junho de 2012

Crack,CAPS, Portfólios e Preconceito

Olá Pessoas!!! A Titia está literalmente moooooorta, pois esta semana, como se não bastasse uma prova ferrada de História, precisa   entregar o portfólio do semestre. Imagine você querer fazer em exatos três dia o que não fez em um semestre inteiro... Pois bem, esta é a situação da louca!!!
Hoje eu tava pensando seriamente em fazer um post acerca do Facebook, loucos e amizades. As ideias já estavam todas na minha cabeça. Mas fui ao CAPS da minha cidade fazer as entrevistas para o bendito portfólio e... o post ficou para um outro dia, pois vou falar sobre este órgão governamental tão importante para uma parcela da população brasileira e tão desconhecida por muitos, como era o meu próprio caso.

Bem, como já falei antes, o CAPS ( Centro de Apoio Psicossocial ) é um órgão do governo federal em parceria com os governos estaduais e municipais que cuida de dependentes químicos. Quando cheguei ao local agora à tarde, saiu a Aparecida Vasquez, graduanda e baixou o espírito da Titia, a blogueira.Esqueci completamente a faculdade e o que tinha ido fazer ali. Fucei o local,conversei com pessoas, conheci um monte de histórias de vida.
Gentem!!! Preciso falar, é tudo muito organizado e limpo. E o mais importante: atende em quase todos os municípios brasileiros. Conta com uma equipe multidisciplinar e, realmente faz um serviço porreta!!! Entretanto este trabalho é podado pela própria sociedade e mais na frente explico o porquê. 
Precisamos entender urgentemente que a droga, mais que um caso de polícia, é sobretudo um problema social. É muito fácil julgar e rotular as pessoas - o difícil é vestir sua pele, passar por suas mazelas e entender o que vai por dentro - compreender sua essência, suas razões.
Os homens não nascem nem bons, nem maus; simplesmente nascem. Condições sociais ,econômicas e culturais moldarão seu caráter. Vivemos em um país que gera muita renda, todavia esta é muito mal distribuída. Os abismos da desigualdade são enoooooormes. 
Um jovem advogado, recém formado me disse que o que leva um jovem pobre às drogas são justamente estas mazelas, esta desigualdade.A falta de oportunidade e o desamparo social são em síntese os responsáveis por tantas vidas perdidas pela violência causada pelo tráfico.
Há muitos anos atrás fazia um trabalho voluntário em um centro de recuperação de drogados em Porto Feliz no interior de São Paulo e pude experienciar as dificuldades enfrentadas por ex dependentes. As pessoas se recusavam a comprar produtos artesanais ou da horta, produzidos no centro e diziam que não o faziam, pois estariam contribuindo para que comprassem drogas. Sério, não minto. 
Ressocializar é uma palavra muito bonita. Mas fica só na palavra. No fundo pensamos que todo usuário é bandido. E bandido bom é bandido morto. Então pra que ressocializar? Atire a primeira pedra quem nunca ouviu esta frase!! Conheço muita gente boa que pensa exatamente desta forma e consegue colocar a maldita cabeça no  travesseiro e dormir o soninho dos justos com a consciência tranquila de um bebê.
Gentem!!! Precisamos nos despir de todo tipo de preconceito. Inclusive o econômico e o social. Vivemos num país onde as oportunidades não são iguais. Como ressocializar o que nunca foi socializado?? É muito mais barato pro governo armar a polícia e mandar subir o morro. Mas por que não leva escola, não leva saneamento básico e não leva saúde?? Por que o estado só se faz presente pra reprimir quando deveria proteger, amparar o cidadão?
Repito: droga não é um problema de polícia é um problema social. A sociedade precisa entender que um dependente químico precisa ser tratado, mas depois ele precisa resgatar sua cidadania através de um emprego, senão volta de novo a usar as  mesmas porcarias. Dependência é uma doença e, como tal tem cura. Pode acreditar.
E não se engane, pois se o jovem pobre passa a ser usuário devido às mazelas sociais, contudo o jovem da classe média usa para ser aceito em um grupo - não quer ser diferente dos amigos. Então, meu bem, nada te dá a segurança que seu filho não vá usar nunca ou o meu, vai saber. A diferença é que o pobre não vai ter grana pra pagar uma clínica. Nem terá o apoio da sociedade quando sair e, se sair do vício.
Assim como a dependência química, o preconceito também é uma doença, sabia?
Precisamos urgentemente rever nossos conceitos antes que sejamos engolidos por eles.
Pense nisso.

2 comentários:

  1. Isto é uma discução mt complicada....
    Em que diversos fatores tem influencia na resolução dos problemas....
    Te dou outro exemplo parecido:
    Quando alguem é condenaddo a uma pena de prisão deveria ser ñ só para ser castigado ,mas acima de tudo para ser reeducado a ñ cometer as mesmas ações.
    Mas o que acontece é exatamente o contrario,ou seja a propria prisão é uma escola de crime,por isso mesmo deveriamos em casos de toxicodependencia ñ castigar com prisão,mas sim com internamento em centros de desintoxicação.

    Pedro

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  2. Muito importante sua postagem, um assunto que sempre deverá ser estudado, conversado e enfrentado sem preconceito pela sociedade.Beijos.

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